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sexta-feira, 28 de março de 2014

A CHANCE : CAPÍTULO 1 - PÁGINA 3

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Quando Beatriz chegou ao restaurante percebeu o quão o evento estava lotado de homens e mulheres. “Mas não é um jantar de festa de solteira? deveria ter só mulheres aqui” pensou enquanto procurava a noiva.    
Finalmente achou Sônia e percebeu que há muito não a via. Agora sua amiga usava os cabelos longos e naturalmente castanhos, estava com a silhueta mais esbelta. Sônia estava sorrindo mostrando a um casal seu anel de noivado quando percebeu sua presença  
Bia não pode deixar de notar que sua amiga ficou tensa com sua presença. Então decidiu apontar para o banheiro feminino mostrando que iria esperá-la, e o que obteve foi um leve aceno de cabeça.  
Chegando ao banheiro , Sônia encontra Beatriz olhando atentamente para o espelho , e diz :  
- Está um pouco velha para brincar de sério com o espelho, Bibi – e sorrindo abraça a amiga – Que saudades eu estava de você, achei que não viria hoje.  
- eu sei que tenho sido relapsa com você, minha amiga, mas é que tenho passado por um momento difícil e você, melhor que ninguém, sabe disso. – disse segurando as mãos de Sônia. – Mas não vamos falar de mim . Olha  você está de linda! Uma diva! Quem fez isso? Diga o nome para eu ir fazer uma consulta.  
 - Obrigada , mas isso tudo aqui é puro amor ... e 30 mil reais. Você realmente está bem? – fazendo cara de preocupada – Olha , se você quiser ir embora Bibi , eu vou entender , sua cara está condenando que não quer estar aqui.  
_ Sô , eu quero ficar , você sabe que se fosse o contrário eu nem estaria aqui.  
- Tem certeza? Talvez meu jantar não lhe faça bem – e afastou-se de Beatriz, para olhar se arrumar no espelho – eu não quero que fique para baixo.  
 - O que quer dizer com isso? Tem algo que está me escondendo Sônia? – disse apoiando na pia para fixar o olhar em Sônia – Ele está aqui, não é?  
  
  - Sim... E veio acompanhado – e olhou para Bibi na defensiva – O que eu poderia fazer? Ele é amigo do Jorge, melhor amigo. Assim como você é minha melhor amiga! A gente não pode eliminar um ou outro. A gente não sabia que vocês iriam se separar... 
- Acompanhado? Mas a gente é casado! Imagine o que as pessoas vão dizer! – aparentemente ignorando o pedido de desculpas de Sônia  - Onde ele está ? Em qual mesa? E quem é a amante, ordinária, vagaba que está com ele? 
  
  - Amante? Bibi , vocês não se falam tem um ano ! Vocês não estão mais juntos! – e segurou os braços da amiga – Por favor, não crie confusão com ele, está bem?  Esse jantar é importante para mim e pro Jorge . 
- Já pediu isso para ele ? Pois eu jamais vou fazer isso com você Sô. Agora ele... 
- Já pedi . E como eu sei que você não está saindo com ninguém, eu te coloquei na mesa dos solteiros. Tem uma pessoa que eu quero que conheça. 
- Mas eu não sou uma mulher solteira ,Sônia . 
- Amiga... – mas foi interrompida pela porta do banheiro sendo aberta. 
  
- Quem ousa tirar a estrela principal do salão ? – disse a mulher de meia idade que entrou no banheiro – Filha , temos convidados a sua espera lá fora. 
- Olá Margout – disse Beatriz  à mãe de Sônia – Desculpe a indelicadeza , mas tive de ser egoísta para conseguir conversar com minha melhor amiga. 
- Mas você teve e terá tantos dias para conversar com ela, Bibi, acho que pode deixá-la para os demais hoje. Seu marido deve estar preocupado com sua ausência à mesa – disse sorrindo enquanto alfinetava Beatriz. 
- Mamãe! – intervém Sônia  
- Sem dúvida Margout, nós já terminamos por agora – disse enquanto se afastava de Sônia – Eu vou só retocar a maquiagem e sairei. 
 - Só não demore muito Bibi, não quero que perca o brinde – disse Sônia enquanto fazia um olhar de desculpas. 
  
Após as duas saírem Beatriz sentou-se  para pensar em como iria suportar aquela noite. 

sexta-feira, 21 de março de 2014

A CHANCE : CAPÍTULO 1 - PÁGINA 2

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UM ANO DEPOIS...   
   
- Dona Beatriz?- disse Leninha batendo na porta - dona beatriz levante , são quase seis horas!   
Mas Beatriz não queria levantar, bem como em todas as manhãs desde o término. Na verdade naquele dia ela não precisava acordar cedo. Era sábado.   
- dona Beatriz, a senhora precisa se levantar esqueceu que hoje é o jantar na casa da dona Sônia? O jantar de despedida de solteira!   
Então beatriz olha para o despertador  em sua cabeceira. Realmente eram seis horas,mas da noite!Como ela pode esquecer? E como iria se arrumar?   
-Leninha entre!- disse saltando da cama - rápido,me ajude a escolher algo para vestir! E o que farei com o cabelo?   
- Se acalme ,dona  Beatriz use o vestido azul  marinho tomara que caia com a echarpe. E faça um coque meio solto, assim não fica parecendo que acordou agora. Use aquele conjunto de Safiras que seu Hugo lhe deu.   
- Mas nem morta que vou com aquele conjunto. Pegue para mim o vestido verde bandeira, os scarpins pretos  e os meus brincos de ouro dados pela minha mãe. Irei de coque... Oh meu deus - e pôs as mãos na cabeça - me esqueci do presente!!!   
- dona beatriz, sua mãe já comprou. E já foram entregues.   
-Agradeça-a, por favor - sentou na penteadeira - Nossa, como estou péssima!   
-Desculpe-me se isso pareceu atrevimento, mas chamei a dona Lizz para fazer sua maquiagem,  - disse Leninha colocando suas mãos rechonchudas nos ombros de Beatriz -  A senhora precisa estar belíssima nesse jantar. Quem sabe conhecer alguém  
- Obrigada Leninha, você sempre acerta. É como se fosse minha mãe. – e segura à mão de sua secretária – O que seria de mim sem você?  
- A senhora continuaria sendo a Beatriz Gouvêa Abraão... Desculpe – lembrando-se que o ultimo sobrenome pertencia ao Hugo .  
- Tudo bem Leninha  , eu ainda sou a Senhora Abraão , ele gostando ou não – e virou para o espelho novamente – tenho de estar linda para que chegue aos ouvidos dele o quanto estou bem.  
- E por falar nisso, o senhor mandou novamente aqueles papéis para a senhora. Eu os deixei na sua mesa. Tem um bilhete junto com eles.  
- A minha resposta continua sendo a mesma: Não vou dar-lhe o divórcio. Agora chame a Lizz.  

sexta-feira, 14 de março de 2014

A CHANCE : CAPÍTULO 1 - PÁGINA 1

    De uma forma ou de outra tudo está interligado... Não há como escapar.  Uns chamam de destino... Outros chamam de carma (karma), há quem chame de terceira Lei de Newton   e alguns  de intervenção divina . Qualquer que seja o nome dessa ligação, ela sempre termina onde começou , reagindo conforme as ações anteriores.    
   
   
A CHANCE   
   
       Vidros e retratos quebrados, roupas pelo chão e um silêncio quase absoluto no quarto. Poderia se dizer que um furacão passou por ali. O cenário veio se repetindo durante os últimos meses e já não espantava mais os vizinhos e nem os moradores. Aliás, os moradores estavam presentes na cena caótica, aparentemente cansados e pensativos.  Beatriz estava sentada na cama de cabeça baixa e Hugo estava próximo a porta do banheiro, encostado e de olhos fechados.    
Outrora aquele cenário significava mais uma incrível e tórrida noite de amor, mas agora representava somente o ódio de ambos   
      - Eu quero o divórcio... Eu preciso do divórcio... Eu preciso viver novamente – disse Hugo quebrando o silêncio.   
  Ele decide se aproximar daquela mulher com quem a pouco tivera uma briga terrível. Ajoelha-se na frente dela e olha fixamente em seu rosto.   
   O rosto, sim, o rosto da mulher por quem passou anos apaixonado. A quem jurou amor eterno. Ainda era o mesmo rosto daquela jovem que conheceu em uma festa de aniversário da irmã da prima da amiga do melhor amigo dele. Uma história que ele adorava contar para aqueles que perguntavam como eles se conheceram, mas agora ele já nem sequer fazia questão de recordar.    
 Hoje era um rosto pálido com algumas rugas, mas era ainda um belo rosto. O nariz ainda era fino ornando com o formato do rosto. Ainda tinha as três pintas próximas ao olho esquerdo, bem como as sardas. Os olhos, aqueles olhos que ele jurava terem sido desenhados, eram arredondados e ao final eram levemente puxados. Os olhos castanhos mais expressivos que conhecera, já não lhe dizem nada.   
       - Eu conheci alguém – e segurou as mãos de Beatriz – não nos envolvemos ainda. Na verdade só tomamos um café, mas eu me senti vivo de novo. É como se eu pudesse... Se eu pudesse amar outra vez!   
Aquelas palavras foram como um soco em Beatriz. Pela primeira vez ela olhou no rosto de Hugo. Buscava fervorosamente que ele estivesse arrependido, mas só encontrou naqueles olhos negros como a noite a verdade das palavras ditas.    
      - Eu juro que eu tentei Bia – disse Hugo colocando a cabeça em seu colo – juro que eu tentei resgatar o nosso amor, só que ambos sabemos que ele acabou. Bem como nossos sonhos... Pelo amor de Deus diga algo!!!   
      - Dizer o que, se você já decidiu tudo por nós dois? – disse afastando ele de seu colo – Me diga à opção que eu tenho? – e segura seu rosto – Eu ainda te amo! Você é o amor da minha vida! Você é a razão da minha existência! E MESMO SABENDO DE TUDO ISSO, VOCÊ NÃO QUER MAIS! NÃO ME QUER MAIS!   
    - Nós não nos suportamos mais Beatriz! Olha nossas brigas! Olhe para nós! Acabamos de brigar e já começamos de novo – e levantou-se. Não podia mais levar aquilo adiante então ,de costas, decretou- Irei para casa de um amigo e  amanhã  entrarei com a papelada. Peço que assine o divórcio em memória do que vivemos.   
     - Vai para a casa dela? – disse sarcasticamente indo em direção do Hugo – Vai brindar a morte do nosso “amor eterno” com ela?Contará para ela que o mesmo amor que jurou para mim ,agora jura para ela?   
    - Ela nem sabe de nada. Nem tenho certeza se é ela que eu vou amar...- e se virou para Beatriz- Já disse que irei para casa de um amigo. Não direi o nome para que você não me siga.   
   - Lamento informá-lo, mas dessa vez não irei. Tenho meu orgulho. E você já decidiu tudo por nós dois. Então vá. Leve suas coisas e vá. Mas leve tudo! TUDO!    
Hugo abriu a porta do quarto e foi em direção a cozinha onde encontrou a secretária do lar, Helena, para quem pediu que arrumasse suas coisas. Todas elas, enquanto ele iria à portaria ver se tinham um número de táxi.   
Quando Helena entrou no quarto encontrou Beatriz chorando convulsivamente na cama.   
   - Dona Beatriz não fique assim... – disse ela sentando na cama – Logo , logo Seu Hugo vai voltar para casa novamente . Como sempre.   
  - Não , não Leninha – disse beatriz entre soluços – dessa vez não. Dessa vez foi o fim. O fim de tudo! Ele já tem outra! Mas agora quem não quer sou eu!   
   - ô Dona beatriz , isso passa. Tudo nessa vida passa. E vocês sempre foram um casal tão unido. É só uma fase. – e levantou da cama – eu vim pegar as coisas do patrão  
  
   Quando Hugo subiu as suas malas estavam feitas. Ele pensou em ir até o quarto dar um adeus a Beatriz , mas resolveu que não , pois ela poderia implorar para que ele ficasse. Então ele pegou suas coisas e foi embora.   
Ao ouvir a porta se fechando na sala, Beatriz pensou em levantar, mas seu corpo não lhe obedeceu. Então ela deitou em sua cama e chorou.